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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Rátis revela contas zeradas apesar de antecipações

 O interventor Carlos Rátis deu nova entrevista nesta quarta-feira. Desta vez, ao jornalista André Uzêda, do jornal A Tarde. E nela ele deixa evidente o estado periclitante em que o Esquadrão se encontra, contrariando o ufanismo dos dirigentes depostos. Confira o texto:
"A interventoria que administra os trabalhos no Bahia terá dificuldades para quitar a folha salarial do próximo mês, que vence na quinta-feira, dia 8 de agosto. Em visita à redação de A Tarde, o interventor Carlos Rátis definiu a situação financeira do clube como "caótica e preocupante".
Três são, segundo Rátis, os principais problemas que inviabilizam as contas do Tricolor. A mais preocupante delas é uma antecipação de receitas tomadas pela gestão do presidente destituído Marcelo Guimarães Filho, que compromete o orçamento administrativo do Bahia em até 36 meses.
Embora o interventor não tenha informado os números da cota adiantada e nem quais foram as empresas que a realizaram, a reportagem apurou que as parcelas são referentes ao contrato de televisão com a Rede Globo, firmado em R$ 35 milhões por temporada.
Quando a intervenção assumiu o controle do clube, encontrou as contas bancárias zeradas e credores com data de cobrança próximas ou já vencidas.
"Tivemos que fazer um esforço para viabilizar a realização do Ba-Vi, por exemplo. Estávamos com dificuldades em áreas como alimentação, pagamento da agência de turismo e até da empresa que de manutenção da grama", afirmou o interventor.
Só de alimentação, a dívida do clube era de R$ 400 mil --apenas R$ 100 foram quitadas-- e o restante negociado. "Não pagamos nenhuma dívida completa por enquanto. A situação é tão crítica que todo dinheiro que vamos recebendo pagamos algo pendente".
CONTAS BLOQUEADAS
Um outro problema é de ordem trabalhista. O Bahia tem um passivo de 20 reclamantes distintos na Justiça do Trabalho do Estado. O valor ultrapassa cifras milionárias e foi preciso fazer, ainda na gestão anterior, um arranjo jurídico chamado conciliação global para incluir todas as ações em conjunto.
O problema é que o Bahia deixou duas parcelas desta conciliação sem serem pagas, o que pode barrar as contas do clube, além de penhorar renda dos futuros jogos na Fonte Nova.
"A prioridade é o pagamento destes valores. Só assim podemos administrar o clube sem sustos futuros", disse Cristiano Possídio, advogado trabalhista constituído pela interventoria.
Segundo Rátis, a primeira parcela deste valor --não informado pelo interventor por questões éticas-- serão pagos até sexta-feira. "A segunda parcela vamos tentar negociar com a Justiça, explicando que o clube está sob uma intervenção", diz.
O último dos grandes problemas para equilibrar o financeiro do Bahia é obter fontes de receitas para arcar com as demandas. A própria intervenção, embora não confirme as empresas, pediu adiantamento de verba com a Arena Fonte Nova e uma sobra de dinheiro de TV para sanar o clube. São estes valores que têm possibilitado pagar salários de jogadores e demais funcionários. Até aqui o interventor quitou três meses de dívidas salariais.
Para pagar a próxima folha, Rátis conta com o montante amealhado dos valores dos sócios patrimoniais que se recentemente filiaram ao clube (aproximadamente R$ 750 mil).
Procurado para comentar o assunto, o ex-presidente Marcelo Guimarães Filho não atendeu as chamadas da reportagem.
PROGRAMA DE SÓCIOS
Carlos Rátis não especificou o que será feito, mas revelou que representantes da Arena Fonte Nova, impressionados com os 15 mil sócios acumulados na última semana, já iniciaram conversas para que esses associados possam ter vantagens em relação ao uso do estádio.
Por fim, Rátis anunciou que o prazo do recadastramento de sócios foi adiado do dia 2 para o dia 7 de agosto. "Estamos publicando isso num edital no A Tarde e em outros meios de comunicação", finalizou."
Pelo visto, a situação financeira do clube é bem pior que o déficit de R$ 2 milhões anunciados antes da intervenção. O torcedor mais uma vez pode ajudar o clube, regularizando-se por meio do recadastramento ou se associando e se mantendo adimplente.

Orgulhoso, Cristóvão destaca força da Fonte Nova

 “A gente pensa para frente, olhando as coisas boas e achando sempre que vai acontecer o melhor”, disse o técnico Cristóvão Borges no início da entrevista coletiva, já na madrugada desta quinta-feira após o triunfo de 3 a 0 sobre o Flamengo na Fonte Nova.
Orgulhoso do desempenho da equipe na partida, o treinador não poupou elogios à dedicação e organização do time durante os 90 minutos do confronto que terminou em gritos de olé da torcida azul, vermelha e branca.
“Hoje a equipe deu um show de disciplina tática e organização. Se ganhar um jogo de uma equipe complicada como o Flamengo desta maneira, engrandece e dá orgulho. Hoje é uma equipe confiante, com alma, que joga com prazer. O resultado diz tudo.”, avaliou emocionado.
Foto: Will Vieira/ecbahia.com












Questionado sobre a retomada da força da equipe em seu tradicional estádio, o professor falou que a garra do time em Salvador sempre foi uma arma importante na vida do clube.
“Já enfrentei o Bahia aqui. Vi quando o Flamengo chegou. A entrevista do Felipe, goleiro. Ele jogou aqui e ressaltou essa coisa da torcida. Então sempre foi assim. As equipes que chegam aqui sabem essa força do Bahia. É tradição”, afirmou Cristóvão.
Antes de encerrar, ele ainda comentou a provável saída do zagueiro Titi para o futebol Turco. “É uma perda, pois vinha jogando todas as partidas, era titular e hoje fez um partidaço. Mas precisamos seguir.” E a atuação do lateral Madson. “O importante é que saibamos cuidar desses jovens que tem atuações as vezes instáveis. Isso é natural da idade. Mas ele é um grande jogador.”

Esquadrão atropela cariocas e pula pra 2º

Noite memorável para a torcida tricolor. Jogando para cerca de 26 mil pessoas na Fonte Nova, o Tricolor venceu o Flamengo por 3 a 0 e alcançou a inédita segunda colocação no Campeonato Brasileiro desde o retorno à elite em 2011. De quebra, o time ainda acabou com o jejum de não vencer os cariocas desde 2000. Os atacantes Fernandão, Wallyson e Marquinhos Gabriel fizeram os gols do Esquadrão que não perde desde o início do processo democrático implantado pela intervenção judicial.
Foto: Will Vieira/ecbahia.com












Antes dos 10 minutos de jogo, o Bahia já dava trabalho a Felipe. Após cobrança de escanteio, Fernandão testou firme na diagonal e o camisa 1 salvou milagrosamente espalmando para escanteio. Aos 19, nova chance do atacante. Fernandão recebeu cruzamento, ajeitou e bateu de virada. A bola passou raspando o gol rubro-negro.
E o gol saiu aos 29 minutos. O volante Hélder chutou forte de fora da área e Felipe rebateu. Bem colocado, o centroavante Fernandão desta vez não perdoou e acertou um belo chute de direita no canto do gol carioca. Bahia 1 a 0 e a torcida em êxtase na Fonte Nova.
E cabia mais. Aos 38, Fernandão ganhou pelo alto e fez o goleiro adversário fazer mais um milagre na Fonte Nova. Só que a noite era mesmo tricolor. Em falta lateral bem batida por Marquinhos Gabriel já aos 45 minutos da primeira etapa, Felipe espalmou para fora da área, mas Wallyson estava no lugar certo e chutou no ângulo fazendo o segundo do Esquadrão de Aço. O Flamengo ainda reclamou de impedimento, mas o juiz Héber Roberto Lopes validou o primeiro gol do camisa 7 pelo Bahia.

No segundo tempo, já aos 6 minutos, a primeira chance foi tricolor. Marquinhos lançou no meio da zaga e Wallyson chutou cruzado. Felipe espalmou. Na sobra Fernandão tentou dominar, mas acabou perdendo a bola.
Se Felipe salvou no primeiro tempo, foi a vez de Lomba fazer defesa espetacular aos 24 minutos. Marcelo Moreno aproveitou bola desviada em Titi e bateu colocado, o paredão tricolor desviou na ponta dos dedos. A bola ainda bateu na trave e voltou para as mãos do camisa 1 tricolor.
Foto: Will Vieira/ecbahia.com












E tinha mais bola na rede para os cariocas levarem para casa. Depois de belíssimo lance do lateral Raul pela linha de fundo, o atacante Marquinhos Gabriel bateu de chapa tirando do goleiro e ampliando o placar para 3 a 0 aos 30 minutos.
Aí foi só a Nação gritar olé até o final do jogo.

Jornalista do Terra faz nova denúncia sobre a base

"Contra alimentação ruim, jogadores promovem quebra-quebra no Bahia". Esse é o título da nova matéria do jornalista Dassler Marques, do portal Terra, sobre a divisão de base tricolor. Desde janeiro, ele já denunciou transações e "gatos", entre outras coisas, envolvendo o clube. Confira:
"Dois anos sem produtos derivados de leite no café da manhã. Jantar frio. Lanche insuficiente. Às vezes, falta até carne nas principais refeições. Essas são algumas das reclamações de jogadores das divisões de base sobre as refeições oferecidas no alojamento do Bahia. Cansados pela situação, recentemente, alguns atletas promoveram motim no refeitório do clube. De acordo com pessoas presentes, uma mesa e um sofá foram quebrados em meio aos protestos.
Ao contrário do rival Vitória, no Bahia todo o serviço de alimentação é fornecido por uma empresa terceirizada. Segundo o Terra apurou, o grupo estaria insatisfeito pelo contrato firmado com o ex-presidente Marcelo Guimarães Filho – recentemente destituído. Por isso, na tentativa de que o clube rescindisse o acordo, a empresa teria optado por um serviço ruim.
Recentemente contratado junto ao Vitória, o coordenador da base do Bahia, Carlos Anunciação, afirmou não ter autorização para fornecer o nome da empresa contratada. Negou as informações sobre os problemas apurados pelo blog. “Isso não procede, aqui tudo está às mil maravilhas. Tudo relacionado às refeições está sob controle. Houve apenas um episódio isolado com dois atletas. Foi dado lanche a mais para um grupo e faltou para outros jogadores. Tudo isso já contornamos”, declarou Carlos.
Nem mesmo o investimento mensal de R$ 600 mil para as divisões de base, por ora, livra o Bahia da situação delicada em estrutura para seus atletas mais jovens. Os mais velhos e mais bem remunerados, insatisfeitos com a alimentação ruim, optam muitas vezes em comer fora do clube. “Como é que pagam R$ 200 mil por mês para jogadores do profissional e deixam isso acontecer com os garotos?”, questionou ao Terra uma pessoa próxima às categorias de base do clube.
Com presidente deposto, e atualmente dirigido por um interventor, Carlos Rátis, o Bahia vive situação dramática na formação, o que se sucedeu desde a demissão do ex-supervisor Newton Motta no fim de maio. Mais de dez jogadores, de diferentes categorias, obtiveram na Justiça suas liberações por não recolhimento de INSS. O lateral Alef (96), da Seleção Brasileira Sub-17, se transferiu sem custos para o rival Vitória."