Jogando em Salvador pelo campeonato Brasileiro deste ano, o Bahia só conseguiu sair vencedor diante do Sport (com ajuda da arbitragem), São Paulo, Figueirense e Botafogo. Em oito ocasiões o resultado foi de empate e em cinco o tricolor saiu derrotado.
No atual campeonato, o aproveitamento do clube em Salvador é pior do que em 2003, ano de seu rebaixamento à Série B. Se no time de Valdomiro, Preto e Emerson teve uma média de 1,7 ponto (56,5% de aproveitamento), em 2012 Titi, Fahel e Lomba conseguem render apenas 1,18 ponto em média, com aproveitamento de 39,22% jogando num estádio menor, onde a pressão da torcida seria um fator de ajuda.
Com essa realidade gritante à vista, o ecbahia.com ao longo dessa semana trará a opinião de jornalistas que cobrem do Tricolor e de nossos colunistas sobre o que causa esse baixo rendimento e qual a solução para que o Bahia volte a cantar de galo em seu terreiro.
na terceira parte parte desse especial, ouvimos a opinião de Priscila Ulbrich, jornalista, fundadora do site Donas da Bola e colunista do ecbahia.com.
Priscila:Vejo como demasiada a expectativa de que se repita, a curto prazo na Série A, desempenhos obtidos nas Séries B e C, onde o Esquadrão enfrentava clubes de menor expressão e encontrava-se, muitas vezes, na condição de franco favorito. A atual realidade é bem diferente e impõe, sobre nossas pretensões, um misto de alívio por não sermos novamente rebaixados e uma frustraçãozinha por talvez não alcançarmos a vaga da Sul-Americana. Mas não pode passar disso.
O aculturamento ao Brasileirão por pontos corridos trouxe a muitos clubes grandes a maturidade de aperceber-se que o empate vale muito pouco e que todo jogo vale os mesmos três pontos. Portanto, simplesmente não há espaço para temer-se a ninguém, quanto mais a quem não é candidato ao título.
Parece que o Fluminense descobriu isto este ano, como um desempenho longe de seus domínios extraordinário. Já os candidatos a rebaixamento enxergam em partidas na casa dos rivais-da-ponta-de-baixo os famosos "jogos de 6 pontos". Dão a vida para não permitir serem vencidos, apenas para manter os oponentes estanques na tabela. E jogam fechados até os dentes. Quando disputam partidas em seus domínios, muitas vezes se abrem em busca da vitória e, obviamente, se expõe mais a serem derrotados. E o Bahia até soube fazê-lo em algumas oportunidades.
Sou voz ativa quando conclamo que o Tricolor volte a impor medo aos seus adversários, mas precisamos reconhecer que possuímos quase todos os requisitos para tanto, menos um. Temos estádio(s), um espetáculo de torcida e o elenco até que não é tão ruim assim. Mas não tivemos inteligência para fazer do Bahia um time competitivo ao longo de um campeonato disputado e sacrificante. Trocamos três vezes de treinador, não temos peças de reposição à altura para a maioria das posições e não possuímos, como clube, a estrutura de um projeto a longo prazo capaz de fazer o Bahia novamente grande, como merece, em suas mais diversas frentes de atuação.
O campeonato brasileiro necessita de planejamento e posicionamentos estratégicos antes mesmo da bola rolar. Concordo que a média de 1,18 pontos em nossos domínios é pífia, sendo a segunda pior do campeonato. Muito distante da média que tem se mantido de maneira ao longo das últimas 7 edições, por volta de 1,75. Mas não vejo neste um caso particular, que precise até mesmo ser especificamente trabalhado. Mais que qualquer alusão às diferenças em estilo de jogo ou fatores intra-campo, entendo que não haja o prevalecimento de um fator local pela falta de visão de grandeza. E, neste caso, o furo é bem mais embaixo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário